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A Aprendiz: O Ritual de Uma Submissa


Leia antes:
Capítulo 1 - A Iniciação
Capítulo 2 - As Velas

Capítulo 3

por Lena Lopez 

A noite declarava-se em ousadia, deixando em penumbra a sala, que ainda vazia, esperava para assistir passiva a entrega e a dedicação de Rebeca. 
No fundo da sala, um facho de luz escapava pela porta entre-aberta, que leva ao quarto. No quarto iluminado, jazia sobre a cama uma linda lingerie rosada, meias de seda e um espartilho brancos.
Ouvia-se o som de água caindo e sob o chuveiro Rebeca tomava um banho. Ela deslizava pelo seu corpo um sabonete cheiroso e a água fria levava com ela a espuma branca. Rebeca banhou-se demorado, depois pegou a toalha e secou-se nela. 
Atravessou a porta da suite, jogou a toalha a um canto e olhou-se no espelho, como a adivinhar  como seriam as marcas, depois que voltasse. 
Foi até o lado da cama, arqueou-se um pouco e pegou a calcinha rosa, vestiu-a e ajeitou nos quadris, para que ficasse do jeito que ela gosta. 
Sentou-se na beira da cama, calçou com cuidado as meias 3/4 Velours De Peau. 
Esticou a perna direita e trouxe para perto seus sapatos de salto, calçou-os e levantou-se de novo, foi até o espelho e vislumbrou seu corpo. 
Levou as mãos da cintura, subindo pela barriga, até segurar os seios e admirou seu corpo, outra vez no espelho. 
Tornou novamente à cama e juntou o seu espartilho branco, antes de vesti-lo, ficou indecisa e resolveu pensar um pouco. Achou que nele ficaria muito desconfortável e decidiu trocar. Foi até o closet, depois de entrar nele, abriu a segunda gaveta e guardou o espartilho de onde ela tirara. Pegou da primeira gaveta o sutiã meia-taça de igual cor a sua calcinha. Vestiu o sutiã e acomodou dentro deles os seios volumosos, ajeitando sensualmente e à saltar os olhos, o seu formoso colo.
Retirou a toalha da cabeça e enxugou com ela os cabelos negros, lisos e molhados, depois a jogou para o lado.
Sentou-se na frente da cômoda e do enorme espelho, pegou numa das mãos o secador, na outra a escova de javali e deu atenção aos cabelos demoradamente. Depois de pentear-se, fez com todo o cuidado a nova maquilagem. Batom rosa na boca, cremes para o rosto, sombras e delineadores, deixando o canto dos olhos puxados.
Rebeca é extremosa e cuidadosa, prima o bom gosto e a sofisticação, faz deles a sua melhor arma de sensualidade.
Depois de se maquilar, levantou-se e foi novamente ao closet, escorreu uma das portas do enorme roupeiro e procurou entre os inúmeros cabides, o vestido oriental que imaginara, pegou do meio dos vestidos, o qipao de seda, rosa e dourado.
Voltou novamente à cômoda, procurou numa caixinha dois biotes pretos e com eles prendeu seus cabelos, dando com os dois pauzinhos, o toque final ao estilo oriental.
Olhou-se na parede espelhada, de baixo para cima e cima para baixo, colocou as mãos nos quadris largos, que o qipao de seda deixava acinturado, virou-se para a direita e mirou-se com um rabo de olho, tentando ver-se de perfil, dando uma meia-volta, repetiu a cena para o outro lado, gostou de jeito que estava, sacudiu a cabeça, mostrando para si, que se aprovara.
Seu sentido de sofisticação intuiu-lhe ao uso de jóias, pensou num colar de pérolas, depois num cordão com pingente, mas desistiu, a ocasião não pedia por elas.
Caminhou em direção à porta, apagou a luz e saiu do quarto.
Atravessou o corredor escuro, guiando seus passos lentos pela luz da lua, que nas janelas da sala entrava. Andou até as janelas e uma por uma cerrou-as com as cortinas. Foi até a sacada, respirou bem fundo e deliciou-se com o ar. Olhou as luzes da cidade, o céu estrelado e lá embaixo a avenida movimentada. Retornou para a sala, fechando e encortinando a porta  da sacada.
Acendeu as luzes e vela por vela, com o isqueiro de prata, iluminou a sala.
Andou até a mesa de centro enorme, feita especialmente para ela, de mogno e sob medida. Deixou-a completamente vazia, do jeito que eu sempre pedira.
Abriu as portas do rack e retirou de dentro as duas cordas vermelhas e outras duas brancas. Levou-as até uma banqueta e enfileirou as cordas de cânhamo, deixando alternadamente e numa sequência de vermelho e branco. Voltou novamente ao rack, pegou a venda de seda e a mordaça de pano. Retornou até a banqueta e colocou-as sobre as quatro cordas.
Olhou o relógio de parede e os seus ponteiros marcavam vinte para as dez. Achou-se eficiente, pois terminara as tarefas antes da hora marcada.
Sentou-se no sofá de couro e ficou ansiosa, queria que eu chegasse, para começar.
Ouviu passos no corredor e logo depois a campainha tocar. Colocou um sorriso no rosto e foi à porta da entrada, pois ela sabia que eu chegara.
Olhei-a e me surpreendi, a minha aprendiz se superara. Vestiu-se totalmente a rigor e deixara tudo pronto, como eu mandara.
Ela curvou-se a minha frente, saudando a minha chegada, com o ojigi. Depois ajoelhou-se e com olhos baixos, esperou que eu entrasse. Acariciei a sua cabeça e estendi-lhe a mão, pedindo-lhe que levantasse.
Ela fechou a porta e veio ao meu lado até a mesa de centro. Acariciei seu rosto e a trouxe a minha boca. Beijei-a profundamente, para que ficássemos tão íntimas como sempre.
O ambiente me seduziu, a dedicação de Rebeca, aqui estou eu, no meu qipao azul e ela prostada aos meus pés e é hora de começar. Hoje a minha aprendiz conhecerá o Sokubaku, mais conhecido como Shibari, a arte de imobilização japonesa dos samurais.

CONTINUA em próxima postagem!
Publicado Originalmente no Blog da Helena

Vocabulário:
qipao: vestido feminino japones
biotes: espécies de pauzinhos para prender o cabelo.
Ojigi: saudação costumeira dos japoneses, arqueando o corpo para frente, juntando as mãos sobre o peito.

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